domingo, 25 de novembro de 2012


BELEZAS DE VERÃO



Neste período do ano, a maioria dos jornais, principalmente os de grande circulação e capitais, dedica diariamente um espaço para mostrar beldades que circulam pelas areias. Sereias! “Fulana na praia do Cassino, Beltrana nas areias de Atlântida”. Ninguém conhece, nunca viu a tal criatura, nem mais gorda nem mais magra. Agora é mostrada com todas suas curvas, cabelos, olhos, bocas, caras e dedos. Linda! Escultural!

Por que não colocam foto de mulheres ‘normais’ nestes espaços? Normal como é a maioria, com algumas gorduras há mais ou a menos; seios e bundas ‘naturais’, provando que o tempo não pára; a linearidade das curvas comprometida pela diminuição do colágeno: estrias, celulites, pelanquinhas, gordurinhas, barriguinhas, ruguinhas. Por que não é bonita? Paradigmas da moda, época, cultura.

No passado quando os padrões de beleza eram outros, a mulher tinha que ser branca, para provar que não precisava trabalhar ao sol para sobreviver, e gordinha para provar que não passava fome e tinha um corpo bem constituído para ser uma boa mãe. Este era o estereótipo das modelos da época. Pousavam para os grandes pintores como Renoir (1884/87). Suas mulheres nuas, fisicamente palpáveis, corporificadas, vivas, opulentas eram disputadas pela elite mundial a peso de ouro.

Hoje temos que passar fome, gastar muito em cosméticos, estéticas, dietas, trabalhar e malhar, para transpirar beleza. Que loucura gente!

Na verdade existe uma enorme diferença entre uma mulher bonita e bela. Nem tudo o que é ‘bonito’ é ‘belo’, no sentido literal da palavra. Existem muitas mulheres belas, mas não tão bonitas, passeando pelas areias neste verão. Mas esta beleza nenhuma câmera capta. Nem mesmo estas digitais com alta resolução de imagem. Uma mulher bela é elevada, sublime, agradável aos sentidos. Vai muito além da sua pele e forma. É inteira, única e original. É encontrada no olhar, no sorriso, na atitude. Com esta beleza, os cremes e bisturis tornam-se obsoletos. Esta beleza o tempo não rouba, só aprimora.







domingo, 28 de outubro de 2012


MULHERES



Quero falar do livro ‘Mulheres que Correm com Lobos’. Comecei a lê-lo há muito tempo. Parava e retomava inúmeras vezes, demorei muito para concluir a leitura. É longo, trinta e oito páginas só de introdução. Há alguns meses atrás, consegui o propósito de ir até o fim. Não vale a pena desistir, o livro merece. Trata-se de uma teorização sobre o arquétipo da mulher selvagem. Através da interpretação de lendas e histórias antigas como as do Barba-Azul e Patinho Feio, a autora identifica a essência da alma feminina, propondo o resgate desse passado longínquo como forma de alcançar a verdadeira libertação. Depois de terminar a leitura, consegui elaborar meu próprio conceito sobre o tema.

Para eu,  nascida interiorana, numa época e lugar onde tudo se arrancava da terra, da água ao pão. Crescida com as quatro estações impressas e definidas pelos olhos e sensações; adolescida com os medos e mitos da vida do mato; depois graduada e analisada, sofrida e vivida, essa mulher que a autora refere, é aquela que nasce dentro de nós e que vamos perdendo vida a fora. A que foi sendo domesticada desde sempre, lapidada conforme os interesses das épocas.

As mulheres passam quase a vida toda como criaturas disfarçadas, cambaleando sobre saltos, enfeitadas sob lenços e chapéus, caminham séculos após séculos, fingindo-se de putas ou santas. Muito mais de santas. Segundo a mitologia romana, puta é a ‘deusa menor da agricultura’. O significado literal da palavra é poda. As festas em honra a esta deusa celebravam a poda das árvores e, durante estes dias, as sacerdotisas manifestavam-se exercendo um bacanal sagrado (prostituíam-se) honrando a deusa o que explicaria o significado corrente da palavra em muitos países de fala latina.

Essa mulher não domesticada é sempre a mesma, não importando a cultura, a época ou a política. Ela é ideias, sentimentos, impulsos e recordações. Sabe o momento de chegar e o de partir. Por mais que seja torturada, silenciada e enfraquecida, entre outros sinônimos depreciativos, ela ergue-se às superfícies. Mesmo a mais tranquila e reprimida das mulheres, guarda um canto secreto para essa selvagem, com sentimentos e pensamentos exuberantes que são da sua natureza. É necessário despir-nos dos mantos falsos que nos sobrepõem para despertá-la dentro de nós.

Assim como consegui terminar de ler esse livro, tenho o propósito de ler todos os livros não lidos da minha biblioteca caseira, que nem são tantos assim. Terminar leituras, contos inacabados, poesias abortadas, ensaios interrompidos, projetos intermitentes... Coisas que fazem parte da complexidade feminina!

É uma forma de resgatar meus destroços e reorganizar-me. Maneira singela de ‘honrar minha deusa interior’.





quarta-feira, 12 de setembro de 2012


AGRADECER

Obrigada Deus
Pelo sol e a lua.
Pelas plantas,
Pelo pássaro que canta.
E também as flores.
...
Pelos amores e
Também os dissabores.
...
Pela vida comprida,
Que late dentro
De mim.
...
Está muito bom,
Nada de ruim.
...
Que assim seja,
Hoje, amanhã e sempre,
Eternamente!